"Muita emoção e adrenalina até acima do limite.
Ao ver que no barco estava um senhor sozinho parecendo-me também muito assustado e atordoado, perguntei se estava bem pois fiquei preocupado de tê-lo atingido e o mesmo respondeu que estava bem e não tinha nenhum ferimento; falou alguma coisa sobre avarias mas que sinceramente não entendi.
Seguimos para lados opostos e inicialmente resolvi retomar o rumo da regata mas na primeira orçada senti uma vibração forte no casco achando que havia algum problema na quilha e liberei as velas... quando olhei, a cabine estava com uns 30cm de água e aí meu amigo, o bicho pegou... imediatamente colete salva-vidas a mão e balde, rumei para a orla mais próxima (Clube Itaú) e fui navegando, um pouco segurando o leme, outro pouco tirando água com o balde (imagine a cena).
Cheguei próximo a orla e pelo que pude observar antes de encalhar, reparei que tinha conseguido retirar mais água do estava entrando, então resolvi costear e chegar mais próximo da ASBAC , continuando nesta dupla função até o próximo clube (acho que é o ITAUPÚ), onde solicitei ao pessoal que estava em terra para encalhar o Felicittá mas não sei porque resolvi não encalhar (talvez pela hesitação do pessoal) e continuar no ritmo que tinha me imposto e como anestesiado ou "adrenalinado" demais resolvi enfrentar a travessia até o ASBAC pois o vento era de popa e favorável (agora não concordo com esta decisão, mas na hora achei a mais correta).
Com o vento de popa, facilitou a retirada de água mas devido a velocidade aumentou e muito a entrada de água e no meio da represa meia proa estava totalmente submersa ! Foi onde o desespero bateu mas a aquela altura era continuar e retirar água o máximo possível ...continuei retirando forças da reserva das reservas e ao mesmo tempo acenando a algumas embarcações mas ninguém percebeu o meu desespero.
Bom, chegando a frente da ASBAC sinalizei ao pessoal que me aguardou no píer próximo a rampa onde atraquei com a proa totalmente afundada, restando o convés de proa como linha d’água!
Concluindo colocamos o Felicittá na carreta mas não foi possível retirá-lo da água devido ao peso. Tivemos que esvaziar (quase uma hora) boa parte da água e depois mais algumas horas para remover o restante com mangueiras, baldes, panos e muita tralha e ferramentas molhadas.
Abraços,
Paulo Camatta - Marreco Felicittà"
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