Notícias da Vela

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3 de março de 2011

Um susto que valeu aprendizado !!

"Muita emoção e adrenalina até acima do limite.

Depois de aproximadamente uma hora de regata e aproximadamente na altura do clube do Itaú (500 metros a frente) eis que sinto o impacto e o Felicittá parou instantaneamente e fui arremessado ao chão. Levantei e pude ver a minha frente (e do Felicittá) um lindo veleiro clássico em madeira todo envernizado (lindo mesmo, acho que era um clássico 16) onde aportei de proa bem ao centro de sua borda a boreste.

Ao ver que no barco estava um senhor sozinho parecendo-me também muito assustado e atordoado, perguntei se estava bem pois fiquei preocupado de tê-lo atingido e o mesmo respondeu que estava bem e não tinha nenhum ferimento; falou alguma coisa sobre avarias mas que sinceramente não entendi.

Seguimos para lados opostos e inicialmente resolvi retomar o rumo da regata mas na primeira orçada senti uma vibração forte no casco achando que havia algum problema na quilha e liberei as velas... quando olhei, a cabine estava com uns 30cm de água e aí meu amigo, o bicho pegou... imediatamente colete salva-vidas a mão e balde, rumei para a orla mais próxima (Clube Itaú) e fui navegando, um pouco segurando o leme, outro pouco tirando água com o balde (imagine a cena).

Cheguei próximo a orla e pelo que pude observar antes de encalhar, reparei que tinha conseguido retirar mais água do estava entrando, então resolvi costear e chegar mais próximo da ASBAC , continuando nesta dupla função até o próximo clube (acho que é o ITAUPÚ), onde solicitei ao pessoal que estava em terra para encalhar o Felicittá mas não sei porque resolvi não encalhar (talvez pela hesitação do pessoal) e continuar no ritmo que tinha me imposto e como anestesiado ou "adrenalinado" demais resolvi enfrentar a travessia até o ASBAC pois o vento era de popa e favorável (agora não concordo com esta decisão, mas na hora achei a mais correta).

Com o vento de popa, facilitou a retirada de água mas devido a velocidade aumentou e muito a entrada de água e no meio da represa meia proa estava totalmente submersa ! Foi onde o desespero bateu mas a aquela altura era continuar e retirar água o máximo possível ...continuei retirando forças da reserva das reservas e ao mesmo tempo acenando a algumas embarcações mas ninguém percebeu o meu desespero.

Bom, chegando a frente da ASBAC sinalizei ao pessoal que me aguardou no píer próximo a rampa onde atraquei com a proa totalmente afundada, restando o convés de proa como linha d’água!

Concluindo colocamos o Felicittá na carreta mas não foi possível retirá-lo da água devido ao peso. Tivemos que esvaziar (quase uma hora) boa parte da água e depois mais algumas horas para remover o restante com mangueiras, baldes, panos e muita tralha e ferramentas molhadas.

A avaria que resultou nesta história: com o impacto abriu na proa abaixo na linha d’água um “rombo” de aproximadamente 5cm de diâmetro.

Maior prejuízo: Amigos preocupados !!!

Abraços,

Paulo Camatta - Marreco Felicittà"




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